Leia
abaixo artigo do Dr. Antônio Geraldo de
Barros , médico veterinário com
atuação na região serrana
desde 1975, sobre a Febre
Maculosa , elaborado gentilmente para o Guia de
Petrópolis:
F e b r e M a c u l o s
a Por
Dr. Antônio Geraldo de Barros
Febre Maculosa Outras
denominações: Rickettiose,
Febre das Montanhas Rochosas, etc.
História:
De todas as doenças que afligem o homem
a Febre Maculosa, especialmente no Brasil é
uma daquelas que mais causou sofrimento e morte,
inclusive em pesquisadores da mesma .
Em 1899, nos Estados Unidos essa doença
foi descrita por Maxcy como a Febre das Montanhas
Rochosas. No período de 1906 a 1909 Ricketts
conseguiu isolar o parasita em tecidos de carrapatos
e promoveu a infecção em porquinhos
da Ìndia. Em 1929 José Toledo
Pisa trabalhou na distinção entre
Febre maculosa e outras doenças exantemáticas
no Brasil. Na décasda de 40 com o surgimento
dos antibióticos ficou mais fácil
o tratamento e controle dos parasitas ( carrapatos)
pelos inseticidas. Em 1952 foi publicado extenso
trabalho pelo notório professor Octávio
de Magalhães, em Minas Gerais, sobre
a Febre Maculosa e seus danos causados na população
desde 1929 a 1944. Em 1983 Galvão e Colaboradores
descreveu uma epidemia da doença em Grão
Mogol, MG
A
Febre Maculosa é uma doença causada
por uma pequena bactéria de nome Rickettsia
rickettsi.
A
Febre Maculosa, Rickettsiose é transmitida
ao homem por carrapatos da espécie Ambliona
cojanênse, encontrado com mais freqüência
nos cavalos e bois na sua fase adulta. Os carrapatos
infectam-se ao sugarem animais silvestres como,
capivara coelhos, gambás, aves e roedores.
Entretanto a doença não depende
desses animais para sobreviver pois pode ocorrer
a transmissão transoraniana nos carrapatos,
que são ao mesmo tempo transmissores
e reservatórios da doença.
Focos
de epidemia já registrados no Brasil
em 1981 em Grão Mogol, Vale do Jequitinhonha,
em 1984 no Vale do Mucuri, nos municípios
de Ouro Verde de Minas e Bertópolis;
em 1989, em Virginópolis - Vale do Rio
Doce; em 1992, em Caratinga. Casos isolado já
foram registrados em Belo Horizonte e Juiz de
Fora. Nos estados do Rio de Janeiro, São
Paulo, Espírito Santo e Bahia já
foram relatados inúmeros casos de ocorrência
da Febre Maculosa.
No
Estado do Rio de Janeiro, em particular, foram
registrados focos da Febre Maculosa nos Municípios
de Piraí,Vassouras, Valença, Três
Rios e recentemente Petrópolis.
As
bactérias da Febre Maculosa se multiplicam
dentro das células das paredes dos vaso;
ao se multiplicarem provocam o rompimento das
células, causam edema, estase sangüinea,
coagulação introvacular, trombose,
embolia, necrose tecidual, equinoses ou manchas
podendo levar o indivíduo à morte.
Para sobrevivência as Rickettsias se multiplicam
indefinidamente nos seus hospedeiros artrópodes
( carrapatos) ou vertebrados, animais e seres
humanos.
A
bactéria da Febre Maculosa passa da mãe
carrapato para os carrapatinhos ( micuins) através
do ovário, não precisando no entanto
dos animais nem do homem para sua propagação.
A prevenção total é difícil
porque uma única carrapata pode ter até
8000 ( oito mil) carrapatinhos e, cada vez mais
os animais silvestres estão mais perto
de nossas residências; por causa dos desmatamentos
e eles são também reservatórios
da bactéria e transportadores dos carrapatos.
Os nosso animais domésticos, também
exercem importante papel no que tange transporte
dos carrapatos e reservatório da bactéria
.
Cuidados
importantes:
1- Manter
os cães e gatos protegidos com um produto
inseticida; 2- Manter o gramado cortado baixo; 3- Fazer aspersões com produtos
de efeito residual nos gramados; 4- Evitar passeios por trilhas, pastos,
pescarias, acompanhamentos sem o uso de roupas
e repelentes apropriados; 5- Vigilância permanente no próprio
corpo e das crianças; 6- Se apresentar sintomas de febre, calafrios,
dor no corpo, dores articulares e na nuca, com
manchas no corpo, procure um médico.
Dr.
Antonio Geraldo de Barros - Médico veterinário
.
10
/11/ 2005